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Vidas Ilustradas



Limpando os armários

Fim de ano, hora de levantar o carpete e limpar a sujeira.
Desde 2005 hospedada no UOL, agora com a chegada de uma nova década quero que ele se expanda e por isso você poderá me encontrar a partir deste novo ano no www.ilustradas.wordpress.com

Bem vindos a minha nova casa!!



Escrito por Jhé Cruz às 12:30:49 PM
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O tentáculo da música independente

“Cara, olha essa fila Fernando”, foi o que disse o violinista Galldino a Fernando Anitelli quando chegaram a porta do Centro Cultural em São Paulo, para mais um show do Teatro Mágico. “Naquele momento eu senti que fazíamos história. Eu sabia que daquele dia em diante, quando as pessoas falassem de MPB no Brasil, elas falariam do Teatro Mágico”, explica emocionado.

De camisa caqui, chinelo e meia, violão e bandolim apresentou sua casa em Embu das Artes – alugada da sua antiga namorada, que agora mora na Argentina. Há pelo menos 20 anos vivendo em São Paulo, Galldino conta sobre sua infância na cidade natal de Feira de Santana, na Bahia, onde vivia rodeado pela música. Seu pai, Osvaldo Marinho de Santana, tocava violino na igreja evangélica, onde a mãe, Joana Marinho de Santana, frequentava. Seu avô participava das serestas baianas – rodas de música que formaram artistas como Reginaldo Rossi e Fagner.

Aos sete anos aprendeu violão sozinho. Um de seus irmãos – Galldino tinha nove –, Osmar Marinho de Santana, chamado carinhosamente pelo artista de ‘irmão universitário’, tinha um violão novo e bonito. O instrumento ficava trancado dentro do quarto, mas Galldino dava um jeitinho e ficava tocando escondido. O apelido do irmão veio por ser um dos primeiros da família a se preocupar em ter formação acadêmica.

Galldino saiu da Bahia aos 15 anos após a separação dos pais. Veio para o Rio de Janeiro com sua mãe e mais dois irmãos. Já sabia tocar violino e ler partituras, como o pai. No Rio, foi trabalhar de cobrador de ônibus, e nessa função ficou até completar os 18 anos. Com o dinheiro ajudava a mãe, gostava de comprar o jornal O Dia – o mais barato – todos os dias, e adquiriu seu primeiro rádio. “Eu gostava de ouvir B.B. King, rock clássico e Janis Joplin. Foi quando eu comecei a tocar músicas diferentes das da igreja”, conta.

Sua primeira composição foi em 1989. “Foi algo assim: ‘Ah! Se eu pudesse te amar agora’. Depois descobri que era um plágio da música London, London do Caetano, que o RPM cantava na época.” Aos 18, veio para São Paulo trabalhar de polidor na fábrica de clarinete dos irmãos. Hoje a Devon & Burgani é a maior fabricante de clarinete profissional da América Latina. 

O talento foi descoberto quando foi trabalhar em uma loja de instrumentos no centro da capital paulista. Galldino costumava reproduzir em fita k7 uma banda inteira, com direito a baixo, bateria, violão, teclado, voz, guitarra e violino. Detalhe, tudo tocado por ele, que conseguia transformar uma fita de duas pistas em até oito pistas. “Foi assim que eu aprendi a fazer arranjos, e aprimorei minha música”, explica.

Como acontece nas novelas, em um dia normal do ano de 1997, Nick Gutierrez – na época professor de música, hoje empresário – apareceu na loja e viu Galldino fazendo sete tempos com a boca. “As pessoas estão acostumadas com dois tempos e meio no máximo”, explica. Com a ajuda de Luciana, hoje braço direito de Rick Bonadio, gravaram o primeiro CD demo do cantor. E mais, conseguiram emplacar uma faixa na rádio Kiss.

Depois desse período foram só ‘nãos’: Sony, Velas, Trama Virtual, entre outras. Galldino voltou a fazer serenatas e participações em bandas de sertanejo e country. Em outro ponto da cidade, Fernando Anitelli estava à frente da banda “Madalena 19”. “Eu nunca quis ser de banda sabe?! Na verdade, minha formação musical é muito diferente da de hoje. Eu não nasci de uma banda de garagem, pensando em ser popstar, com muita mulher, drogas e rock’n roll”, confessa Galldino. “Mas eu conseguia fechar os olhos e ver uma multidão me assistindo”.

O destino mudou, quando no Sarau do Arco Verde, ele tocou a música Camarada D’Água com Fernando Anitelli. “Eu gostei do trabalho deles. Fiquei fascinado com as letras”, conta Galldino. Foi assim que passou a “ser de banda”. No entanto, logo Madalena 19 chegou ao fim. “Cada um tinha seu próprio projeto”, explica Galldino. Anitelli entrou para o grupo de teatro Menestréis – criado em 1981 por Oswaldo Montenegro -, em que os próprios participantes pagam as despesas da apresentação final, em troca, os atores se formam e tem aulas gratuitas. Foi a partir dessa ideia que nasceu O Teatro Mágico.



Anitelli convidou alguns amigos para tocarem na gravação de seu disco solo. Ninguém precisaria dar dinheiro algum, mas precisava tocar de graça. No fim, eram mais de 40 músicos. “O Teatro Mágico nasceu ao contrário”, comenta Galldino. Ou seja, Anitelli tinha as composições, e depois foram criados os arranjos. Na estreia do CD eram mais de 200 pessoas. “Era tudo amigo. Mas para a pequena imprensa que estava lá, impressionava”. Dentro da máquina da música, O Teatro Mágico já tinha seu diferencial: os narizes de palhaço.

Depois desse pontapé inicial, alguns foram saindo, outros entrando até que em 2005 a trupe se estabilizou. Após um ano, o primeiro CD foi lançado: Entrada para Raros. Na gravação do primeiro DVD, chegamos ao momento em que Galldino se emociona, quando percebe que seu trabalho estava marcado na história da música brasileira. “Perceber que fazemos parte da vida de milhões de pessoas é algo muito louco”, afirma Galldino.

O Teatro Mágico não é apenas uma banda que move pessoas através de letras politizadas e visual lúdico, ou utilizando a definição do artista: “O biscoito fino para as massas”. A trupe é um polvo da música independente brasileira. Do primeiro e segundo CDs foram mais de 1 milhão de downloads no site Trama Virtual e no PalcoMP3.

Sabendo disso, Galldino lançou seu primeiro CD solo, OctOpus , como forma de reforçar o profissional independente. Ele tirou de seu próprio bolso cerca de dez mil reais. Mas sabe que estar entre os cem mais baixados na Trama Virtual, sem investir nada em divulgação, é um feito inimaginável para indústria musical. “Agora de uma forma ou de outra eu estou na Trama”, brinca com o episódio em que foi recusado pela gravadora.

Galldino defende o que chama de “economia solidária”. Esse modelo funciona quando se vende um trabalho a preço de custo, mas se por acaso a pessoa não tiver cinco reais para pagar pelo CD, não há problema, ele paga o quanto pode ou não paga nada. “As pessoas sabem o valor do nosso trabalho. O importante é que conheçam o som, e se não gostarem passem pra frente”, explica.

Devido ao crescimento desses tentáculos da música independente, o Ministério da Cultura colocou em discussão as formas de modernizar a Lei de Direito Autoral, que muitas vezes é utilizada pelas grandes gravadoras para impedir os dowloads de arquivos pela internet.  A proposta ainda está em fórum público, afinal estabelecer regras para o mundo virtual é sempre uma dor de cabeça para os governantes, vide o direito de resposta no jornalismo.

A trupe iniciou essa batalha há sete anos, e inclusive o irmão de Anitelli, Gustavo, está a frente de debates sobre o assunto. E cada membro do grupo tem seu próprio projeto para assim, como Galldino, fortalecer o movimento. Mas a trupe tem data para acabar. No Segundo Ato, de uma trilogia, o Teatro Mágico deve finalizar sua trajetória em 2012. Galldino quer estar no último show do grupo e idealiza: “Eu quero estar lá, quem sabe num estádio lotado como do Pacaembu, com ingressos a um real”. E assim, ele abrirá os olhos mais uma vez e verá a multidão que construiu somente na imaginação quando ainda brincava com as músicas de Janis Joplin.
 



Escrito por Jhé Cruz às 03:54:39 PM
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Ah! "aqueles" e-mails

"Quando eu vou fazer integração com os funcionarios, eu sempre me apresento e peço para as pessoas se apresentarem. Então eu falo que tenho uma namorada a uma 'década ou mais', e que é uma pessoa muito importante pra mim"



Escrito por Jhé Cruz às 12:15:47 PM
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Assim, natural

Quando me questionam a quanto tempo namoro, sempre se espantam com a resposta. Seja porque acreditam que tenho apenas 12 anos, sejam porque acham absurdo namorarem por mais de um ano e meio a mesma pessoa (lembrando que chutei esse número, não me lembro de nenhuma pesquisa sobre isso pelo menos). Acontece que como todas os outros, às vezes também me sinto na mesmice. Mas acontece mais ainda, que esses momentos são raros.

Conheço ele há mais de dez anos e me surpreendo sempre. Pior, sempre achei que era um fato de sua própria personalidade, algo natural. Mas não era. Neste ano tudo mudou em sua vida: os pais se separaram, a mãe finalizando a faculdade, a irmã em Londres, o pai em Campinas, o irmão procurando um bom time de futsal para se instalar. Todos longe. E ele, sendo o dono da casa. “Me sinto na obrigação de dar atenção a todos, mas eu não consigo”, disse esses dias. Diante dessas situações, as supressas cessaram. Virou mesmice. Me surpreendeu, porque era tão...natural.

P.S.: Esta semana meus dedos estavam coçando para comprar a coleção inteira de Grey’s Anatomy. Não resisti e comprei. Ele também, tinha planejado uma surpresa. Eu estraguei.



Escrito por Jhé Cruz às 04:28:15 PM
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De Rui Barbosa Sa-Silva ao Guiness Book

No final do século XIX nos Estados Unidos, durante os intervalos das peças de teatro, havia o chamado MC (Mestre de Cerimônia), que fazia piadas para distrair a plateia enquanto esperava.

Entre os anos de 1950 e 1960, o MC foi incorporado nas casas noturnas americanas. Esse tipo de apresentação ainda não era conhecido como “Stand Up Comedy”, mas sim como “One Show Man”, em que o humorista pode utilizar da criação de personagens, e não precisa, necessariamente, a piada nascer do factual. Desse período umas das muitas revelações foi Woody Allen.

Entretanto, foi na década de 1970 que o gênero se globalizou. No Brasil, o responsável por trazer o humor “One Show Man” foi José Vasconcelos, que ficou famoso pelo papel do gago “Rui Barbosa Sa-Silva” da Escolinha do Professor Raimundo, que por sua vez tinha como carro chefe do programa o humorista Chico Anysio. Este e Jô Soares foram os personagens que popularizaram o “humor de cara limpa”, além de outros gêneros, no Brasil.

Apesar disso, na década de 1990 esse tipo de humor desacelerou no país, porque a maioria dos comediantes apostava na comédia para se lançarem como atores, cantores, entre outras profissões artísticas. Já no fim de 1990, no Prêmio Multishow do Bom Humor Brasileiro, dois nomes foram vencedores pela primeira vez com o que se chama hoje de “stand up comedy”: Diogo Portugal, em 1996, e Bruno Motta, em 1998, que se uniram com Fernando Ceylão e formaram o espetáculo Risorama apresentado por Nany People.

A televisão também ajudou a popularizar o “stand up comedy” primeiro com participações em programas como “Altas Horas”, “Programa do Jô” e “Domingão do Faustão”, e depois com programas de “stand up comedy”, como o CQC (Custe o Que Custar) da TV Bandeirantes.

Contudo, os humoristas acreditam que o fato mais importante para explicar este “boom” do gênero foi o advento da internet. Segundo Bruno Motta - comediante de 29 anos que entrou para o Guiness Book, com a maior apresentação de “stand up comedy” do mundo, com duração de 38 horas e 12 minutos – : “Você não precisa mais da televisão, a internet está aí e é mais democrática, a gente conta com o boca a boca”. O humorista Maurício Meirelles, de 26 anos, inclusive diz que “o stand up no Brasil só deu certo devido à internet”. Ambos fazem parte do grupo “Seleção do Humor – Stand Up”.

Gabriela Mendes, estudante de 16 anos, Suellen Galhego, atendente de telemarketing de 22 anos, e Camila Gitahy, estudante de 17 anos, se conheceram em espetáculos de “stand up”. Os próprios humoristas as conhecem e têm piadas direcionadas a elas, a chamada “primeira fila”. Elas contam que gostam do estilo “stand up” devido a facilidade de entendimento. “Não é preciso pensar muito para entender o que eles dizem, e ao mesmo tempo é muito inteligente”, confirma Gabriela.


Da esquerda para direita Suellen Galhego, Bruno Motta,
Gabriela Mendes, Maurício Meirelles e Camila Gitahy

 

 



Escrito por Jhé Cruz às 10:33:29 AM
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